quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Monografia parte 9 - Agricultura Urbana Coletiva

AGRICULTURA URBANA COLETIVA

Na prática, a agricultura urbana está desenvolvendo sua capacidade para ajudar a resolver ou enfrentar diversos desafios do desenvolvimento. Ela é estimulada por uma complexa rede de fatores ainda não muito claramente entendidos, entre os quais a pobreza urbana e a insegurança alimentar ocupam lugares preponderantes.
O significado coletivo relacionando com sociedade, segundo as ideias de Durkheim, o indivíduo é fruto do meio em que vive e tudo na sociedade está interligado, por isso, qualquer alteração em algum setor da sociedade, toda ela sentirá os efeitos. Como bem ensina Nelson Dacio Tomazi:

Para Durkheim, é a sociedade, como coletividade, que organiza, condiciona e controla as ações individuais. O indivíduo aprende a seguir normas e regras de ação que lhe são exteriores – ou seja, que não foram criadas por ele – e são coercitivas – limitam sua ação e prescrevem punições para quem não obedecer aos limites sociais. As instituições socializam os indivíduos, fazem com que eles assimilem as regras e normas necessárias à vida em comum. (Tomazi: 2000, 264)

Segundo Max Weber que, ao contrário de Durkheim, que dava ênfase à análise sociológica dos fatos sociais e às relações entre as classes, tomou como ponto de partida a análise centrada nos agentes, nos indivíduos dos grupos sociais e suas ações. O pensamento weberiano privilegia a parte sobre o todo, tendo em vista que a coletividade, necessariamente, se origina do individual. Weber (ANO) definiu como objeto da Sociologia a ação social, ou seja, “qualquer ação que um indivíduo pratica orientando-se pela ação de outros”.
Pegando como premissa o ensinamento de Max Weber, desenvolveu uma nova visão sobre agricultura urbana, onde ela tem como fator importante a coletividade, voltando aos primórdios, onde a agricultura não era desenvolvida como fonte de renda e sim para sobrevivência, adequando este pensamento para a atualidade, a agricultura urbana coletiva tem como objetivo ajudar no combate ao desperdício.







quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Monografia parte 8 - Agricultura Urbana

AGRICULTURA URBANA


A agricultura urbana pode ser definida como práticas agrícolas realizadas em uma cidade. Essa atividade existiu desde que os centros urbanos começaram a ser formados, já que as cidades foram constituídas por pessoas que saíram do campo e que trouxeram consigo hábitos de plantarem em casa, mas começou a "ganhar destaque" em momentos de crise (guerras civis ou problemas econômicos), quando a população carente ou pessoas que vieram a ficar desempregadas começaram a produzir alimentos não só em seus quintais, mas também em áreas abandonadas da cidade, cedidas por particulares ou entidades públicas. Tempos depois essa prática começou a crescer em países africanos como Uganda, Nigéria e Zimbabwe, por apresentarem problemas técnicos, econômicos e ambientais, ela se tornou uma importante alternativa de acesso ao alimento para as famílias envolvidas.
Na Ásia a agricultura urbana tem uma importância muito grande. Em Shangai, na China, aproximadamente 3,62 milhões de pessoas estão trabalhando em hortas urbanas. Existem produções de vegetais, grãos, criação de porcos, frangos e peixes. Este tipo de produção agrícola tem contribuído não só para a melhoria da alimentação, como aumentando a renda familiar, além de gerar empregos através da venda da produção nos mercados e do transporte da mesma.
No Brasil, o primeiro relato sobre agricultura urbana foi como meio de acesso a alimentos na década de 90, uma das iniciativas mais conhecidas dessa época é a de Teresina (PI) que estava enfrentando problemas de abastecimento de frutas e verduras, o principal marco foi a implantação do Programa de Hortas Comunitárias, que além de alimentar a população gerou emprego, quando ganhou apoio da prefeitura conseguiu beneficiar mais de 2.503 famílias. Em Goiás e no Distrito Federal as iniciativas são um pouco mais recentes, e estão em fase experimental, plantando em escolas, e em terrenos baldios doados pela prefeitura, só que são mais voltadas à educação alimentar dos moradores mais pobres, fazendo-os assim se alimentarem de maneira mais correta.     Todos os envolvidos com as hortas participaram de oito minicursos para poderem estar lidando com os alimentos. Atualmente, podemos ver em vários locais a presença da agricultura urbana, como por exemplo: hortas em fundo de quintal, hortas escolares e comunitárias. Em São Paulo existe uma iniciativa chamada Horta Comunitária das Corujas, que foi criada em 2011 com intuito de ajudar as pessoas a cultivar alimentos em casa.

Monografia parte 7 - Desperdício

DESPERDÍCIO


De acordo com o estudo da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), 54% do desperdício de alimentos no mundo ocorre na primeira fase da produção, no transporte e na armazenagem, 46% ocorre na distribuição e no consumo. Esses 54% de alimentos desperdiçados os consumidores não podem evitar, pois cerca de 30% dos alimentos são sequer colhidos, por não corresponderem aos padrões estéticos que nos agradam. Reduzindo esse desperdício no processo de produção, distribuição e consumo de uma maneira mais racional, não haveria necessidade de se fazer tantos investimentos no aumento da produção. O melhor aproveitamento dos recursos diminuiria a necessidade de aumentar área de plantio, reduzindo o impacto destas atividades ao meio ambiente.
A cada ano, os alimentos produzidos, mas não consumidos, utilizam um volume de água equivalente ao fluxo anual do Rio Volga na Rússia, o maior rio da Europa, são responsáveis ​​pela emissão de 3.3 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera do planeta. Temos que ter em mente que cada quilo de alimento desperdiçado gasta um número x de água, levando em conta que todo ser vivo necessita de água para sobreviver. Nos EUA, por exemplo, estima-se que 30% dos alimentos, com valor calculado em US$ 48,3 bilhões, é jogado fora. Por analogia, isto significa uma “torneira aberta” desperdiçando 40 trilhões de litros de água, o suficiente para abastecer 500 milhões de pessoas. Se essas práticas não forem alteradas, a água será uma limitadora para a produção alimentar futura. Ao melhorar a produtividade da água e reduzir a quantidade de comida que é desperdiçada podemos permitir-nos prestar uma melhor dieta para os pobres e alimentos suficientes para crescente população mundial.

Monografia parte 6 - Fome

FOME


Diariamente o mundo produz quantidade suficiente de comida para alimentar toda sua população, mas a fome mata anualmente 12,9 milhões de crianças no Brasil e uma pessoa a cada 3,5 segundos por todo o planeta. Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas) estima-se que existam hoje 854 milhões de pessoas subnutridas no mundo, quando existe também 1 bilhão de adultos com sobrepeso. No Brasil, cerca de 32 milhões de pessoas passam fome e mais de 65 milhões não consomem a quantidade certa de calorias diárias, o que quer dizer que se alimentam de maneira precária.
Ninguém sabe exatamente como acabar com a fome no mundo, mas existem teorias, uma delas seria a redução com gastos militares, o que resultaria em 1,6 trilhão de dólares por ano. Esse dinheiro é suficiente não só para acabar com a fome do mundo mas também para reconstruir áreas cultiváveis degradadas. Porém, hoje em dia, os países estão investindo cada vez mais em seus exércitos para manter a segurança da sua nação. Outra teoria seria eliminar o consumo e a produção de drogas, bebidas alcoólicas, os jogos de azar e cassinos, pois essas atividades geram trilhões de dólares, um dinheiro que seria mais que suficiente para acabar com a fome, a pobreza extrema, além de evitar muitas mortes por overdose, cirrose, entre outros. O único problema é que não vivemos em um mundo utópico, onde podemos fazer todos escolherem o que é certo. Talvez a solução mais viável não seja acabar com os exércitos mundiais ou decidir a vida das pessoas, se pararmos para pensar que parte de todos os alimentos produzidos são desperdiçados, seja na hora do plantio ou até mesmo no supermercado, podemos perceber que não é necessário ideias mirabolantes para amenizar a fome mundial.
Em todas as etapas os alimentos são desperdiçados, só o Brasil joga fora 64% de tudo que planta, o que corresponde a 70 mil toneladas de comida no lixo, isso já poderia acabar com a fome da América Latina. Pesquisas dizem que, por ano, uma família de classe média joga no lixo, 182,5 quilos de comida, o que seria suficiente para alimentar  uma criança por seis meses. O desperdício de comida é ainda mais comum em casas onde moram 2 pessoas, pois muita comida estraga antes de ser consumida. A média anual de uma pessoa sozinha é de 560 quilos de comida, um casal sem filhos tem o gasto per capita de 509 quilos, já uma família com 2 filhos gasta 360 quilos por ano. Isso acontece pois as industrias não estão focando muito no que chamam de "mercado single", que são pessoas que moram sozinhas e não necessitam de um pacote com tantos alimentos, o que muitas vezes faz com que o desperdício aumente. Na época de inflação alta as pessoas faziam a "compra do mês" o que contribuía muito para o desperdício, mas hoje em dia já dá para comprar a cada três dias, o que significa comprar menos e com isso menos perigo do alimento estragar na sua casa. Outra coisa que é necessário é que as pessoas tenham consciência de como escolher seus alimentos, sabemos que para pegar dois tomates as pessoas apertam uns dez, oito tomates que outras pessoas consideram "feios" por estarem amassados, oito tomates que no fim da semana o mercado é obrigado a jogar fora por ninguém querer compra-los. Por mês um hipermercado joga fora duas toneladas de alimentos bons para consumo, mas que são julgados ruins para a venda, nas feiras de São Paulo são desperdiçados, em média, uma tonelada por dia.
Para tentar amenizar o problema da sobra de comida de uma lado e da falta dela de outro foram criadas muitas ONGs, uma delas é a Banco de Alimentos que com apenas quatro veículos conseguia recolher 44 toneladas de comida por mês, os alimentos eram obtidos em sacolões, padarias e supermercados, que eram suficientes para alimentar 22 mil pessoas por dia, mas hoje, a pessoa ou empresa que doar  alimentos, mesmo estando boa para consumo pode responder criminalmente caso a comida faça mal a quem recebeu, o que faz com que as empresas não queiram mais doar. O governo, visando essas ONGs que conseguiam alimentar a população carente, criou uma lei, apelidada de "Estatuto do Bom Samaritano", ela diz que o doador não tem responsabilidade se houver problemas de saúde por causa da ingestão do alimento, caso prove que não agiu de má-fé e que seguiu os procedimentos de higiene exigidos. O problema é que boa parte do desperdício no país não pode ser evitado pelos consumidores ou comerciantes.


Monografia parte 5 - Permacultura

PERMACULTURA


A Permacultura foi criada na década de 70 por dois ecologistas australianos (Bill Mollison e David Holmgren), baseando-se no modo de vida integrado à natureza das comunidades. Ela consiste no planejamento e execução de ocupações humanas sustentáveis, unindo práticas ancestrais aos modernos conhecimentos das áreas, principalmente, de ciências agrárias, engenharias, arquitetura e ciências sociais, todas abordadas sob a ótica da ecologia. Resumindo, a Permacultura é trabalhar com a natureza, e não contra ela. É olhar os sistemas em todas as suas funções ao invés de tirar apenas um fruto deles, e de permitir que os sistemas demonstrem sua própria evolução. Ela aproveita todos os recursos disponíveis, e faz uso da maior quantidade de funções possíveis de se aproveitar de cada elemento presente na composição natural do espaço. Mesmo os excedentes e dejetos produzidos por plantas, animais e atividades humanas são utilizados para beneficiar outras partes do sistema.

Um dos objetivos da Permacultura é manter a diversidade, a resistência, e a estabilidade dos ecossistemas naturais, promovendo energia, moradia e alimentação humana de forma harmoniosa com o ambiente, e ao mesmo tempo combater o desperdício. Em 1996, uma nova onda de cursos apareceu no Brasil, desta vez no Estado do Amazonas. Depois desta data, o país já tinha um “corpo” de Permacultores e alguns institutos capacitados na aplicação deste sistema. Foi criada também a Rede Brasileira de Permacultura (uma rede de institutos) e mais a frente a Rede Permear (uma rede de permacultores). Hoje no país são formados cerca de 300 permacultores por ano e boa parte deles está atuando em sítios, área urbanas, comunidades, institutos, redes etc. 

Monografia parte 4 - Agricultura Organica

AGRICULTURA ORGÂNICA


A agricultura orgânica é uma prática agrícola que adota técnicas específicas, tendo por objetivo: a sustentabilidade econômica ecológica, a maximização dos benefícios sociais, a minimização da dependência de energia não renovável, empregando métodos culturais, biológicos e mecânicos, em contraposição ao uso de materiais sintéticos, a eliminação do uso de organismos geneticamente modificados em qualquer fase do processo de produção, processamento, armazenamento, distribuição e comercialização, e a proteção do meio ambiente. É provável que a história da agricultura orgânica tenha tido seu início na década de 20, relatada em um livro chamado: “Um testamento agrícola” de 1940, escrito pelo trabalho do pesquisador inglês Albert Howard, que, em viagem à Índia, observou as práticas agrícolas de compostagem e adubação orgânica, utilizadas pelos camponeses daquele local.
O principal objetivo da agricultura orgânica é preservar a saúde do meio ambiente, os ciclos, as atividades biológicas do solo e a biodiversidade. Assim, apesar do termo Agricultura Orgânica, frequentemente, assumir uma dimensão bastante estreita, atendendo meramente aos interesses comerciais, garantindo ao consumidor um processo que não utilizam agroquímicos, restringe a utilização de adubos químicos e que promove conservação dos recursos naturais, a Agricultura Orgânica na Europa se caracterizou como um movimento que partiu do consumidor, refletindo mais ambições individuais, relacionadas à saúde e ao bem-estar, o percurso seguido pela agricultura orgânica brasileira é sensivelmente diferente, a qual se apresenta mais como  uma alternativa social global, do que como uma simples alternativa técnica, predominando a compreensão de que a agricultura orgânica está vinculada à agricultura familiar, conservando a dimensão ética defendida pela agroecologia. A partir das décadas de oitenta e noventa, as organizações ligadas à produção orgânica se multiplicaram, cresceu o numero de produtores e a produção se expandiu em quantidade, diversidade e qualidade. Atualmente, existem 19 certificadoras operando com sede no Brasil, sendo que algumas já possuem reconhecimento internacional para os diferentes países e blocos econômicos. Parte dessas certificadoras são organizações de grande importância para o movimento orgânico nacional.

As técnicas utilizadas para preparar o solo na agricultura orgânica, são bem parecidas com as da agricultura familiar (métodos tradicionais) como: adubação orgânica com uso de compostagem da matéria orgânica, minhocultura (geradora de húmus com diferentes graus de fertilidade), manejo da vegetação nativa, como cobertura morta e rotação de culturas, uso racional da água de irrigação seja por gotejamento ou demais técnicas econômicas de água contextualizadas na realidade local, controle da luminosidade, temperatura, umidade, e pluviosidade.

Monografia parte 3 - Agricultura Convencional

AGRICULTURA CONVENCIONAL


A Agricultura convencional ou "moderna" é caracterizada pelo uso de técnicas tradicionais de preparo do solo e de controle fitossanitário (controle de pragas e doenças). Ela surgiu em meados do século XIX, época conhecida também como 2º revolução agrícola. Muitos dizem que essa agricultura se opõe a agricultura orgânica, já que ela visa, acima de tudo, a produção, deixando de lado a qualquer preocupação com o meio ambiente e a qualidade nutricional dos alimentos.
Seu sistema de monocultura favorece o aparecimento de pragas, doenças e ervas daninhas, fazendo com que o agricultor tenha que usar agroquímicos para poder produzir, tornando-as resistentes a eliminação de seus inimigos naturais. Sem contar que esse sistema de monoculturas, conhecido também por plantation, faz o solo perder a fertilidade rapidamente, pois facilita a erosão, reduz  atividade biológica e alguns nutrientes. Vários tipos de fertilizantes químicos são violentos acidificadores e biocidas, ou seja, produtos que destroem a microvida presente no solo.
A utilização de adubos químicos, dos defensivos agrícolas e das sementes modificadas geneticamente, formam um circulo vicioso. As sementes "melhoradas" necessitam de mais adubação para se desenvolverem. A utilização do adubo torna as plantas mais fracas e assim mais suscetíveis ao ataque de pragas e doenças. O que faz usar mais e mais adubos para manter o nível desejável da produção. Existem padrões de saúde para o uso de agroquímicos, mas segundo a ANVISA nem todos os produtores respeitam isso, fazendo com que as pessoas tenham que consumir produtos "infectados", o que pode vir a gerar doenças e até interferir no desenvolvimento normal das crianças. O que faz com que as pessoas optem por alimentos orgânicos.